Salut, adoráveis criaturinhas peludas de Alpha Centauri (e outros leitores. E Sayonara)! Salut, para quem não sacou ainda é "Oi/Tchau"aqui na França, por sinal, extremamente prático ter a mesma palavra para cumprimentar e se despedir - evita muita socialização desnecessária. E foi justamente aqui na França que eu tive a oportunidade de assistir a uma partida de hóquei no gelo profissional, esporte tão amado (not), conhecido (not) e praticado (not) no Brasil. E é por isso, que venho aqui hoje dar uma introdução básica a prática desse esporte oriundo de Puckworld, o planeta natal dos Super Patos.
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| Lá vem os Super Patos, para arrebentar! [abertura grudenta] |
digamos somente que o esporte pode ser visto como uma versão civilizada das antigas lutas de gladiador romanas: enquanto a audiência sádica (não julgando ninguém, todos precisam de suas doses de violência de vez em quando) e os juízes estiverem entretidos com o combate, o espetáculo não pára. Você pode propositadamente usar o taco ou os punhos para "impedir o avanço" dos jogadores adversários.
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| Reparem que esses aqui desistiram dos tacos e do disco. Marcar para que, né? |
Juro para vocês que durante a partida um jogador levantou o taco acima da cabeça por um ou dois segundos, estilo golfista, e ficou olhando para o disco com fúria, de modo que todo o estádio fez silêncio. Quando ele finalmente dá a tacada e dispersa sua cólera no pequeno disco, o taco parte no meio e o disco acerta bem no centro do placar (que ficava a uns 8 metros acima do chão), trincando o vidro que o protegia.
A partida (dividida em três tempos de 20 minutos) só é interrompida em caso de gol ou de infração. Infrações, pelo que eu pude entender, tem só de dois tipos:
- Se algum jogador fizer algum ato de má vontade e machucar um adversário a ponto dele chorar de dor, a partida é interrompida até que a bichinha chorona se recupere, pare de chorar e volte a ser homem. A vantagem sai com o time que agrediu e teve que esperar o bebê chorão.
- Dedo no olho ou taco no saco são fora de cogitação. O infrator fica dois minutos no banco ou até encontrar o globo ocular removido do adversário e devolvê-lo.
A violência era tal que eu por um momento levantei da minha arquibancada e me dirigi aos jogadores, gritando: "Para que isso gente? Larguem os tacos e vamos todos fazer um churrasco, ser amigos e... [um goleiro me lança um olhar furioso do banco de reservas] ou não.".
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| Representação de um goleiro de hóquei no gelo. |
Outra coisa digna de nota nessa partida foi a audiência. Quando você escolhe ir para um evento desse, você já vai preparado para lutar seu caminho por um lugar na arquibancada com marmanjos barbudos e motoqueiros mal-encarados (conjuntos não-disjuntos). Mas aqui na França, a arquibancada é composta de famílias com crianças, algumas mulheres grávidas e franceses estereótipos. Por "francês estereótipo" entenda: aquele sujeito afeminado, magrela, que vive com uma baguete debaixo do braço e tem aquele bigodinho.
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| Aquele bigodinho... (imprima e use) |
E não para aí! Invés de chopp ou cerveja ou qualquer outro drink relacionado com esportes, nossos amigos franceses assistem a partida bebendo nada mais, nada menos que Coca-Cola Zero Sem Cafeína!
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| "Sem mais excelência" |
E com isso encerro meu caso. Espero ter incentivado vocês a montarem uma equipe para prática desse digníssimo esporte em suas respectivas cidades e que assim o Brasil pode se tornar uma grande potência nos esportes de gelo (Olímpiadas Pós-Apocaliptícas do Rio 2016 - na bacia congelado de Santos).




